Realidade amadora
A beleza dos mesmos sítios.
Diria que estou presa ao sítio onde nasci e cresci. Moldou-me as memórias de tal forma que destruiu qualquer possibilidade de comparação com outros sítios. É onde sinto o conforto materno, mesmo quando a minha mãe não está presente; onde a temperatura moderada pelas correntes marítimas me faz sentir abrigada; e onde sei que não me poderei perder, ainda que, em contrapartida, também não possa ir muito longe.
Apesar de viver nesta vila há mais de 28 anos, descubro uma beleza nova em cada recanto. Todos os dias são uma oportunidade para reparar num pormenor que, até então, tinha passado despercebido. Basta a luz incidir de forma diferente ou o meu olhar aguçar-se para valer a pena imobilizar a beleza daquele momento no ecrã do meu telemóvel. É assim que vou colecionando a beleza da minha vila.



Houve um período em que estava fascinada por sombras, embora isso se devesse sobretudo ao facto de o meu telemóvel ter pouca capacidade para tirar fotografias no escuro.
É frequente fotografar o que vou vendo nas minhas caminhadas.



O céu e as nuvens são um elemento muito importante nas minhas fotografias. Gosto particularmente do céu outonal, pois confere uma textura diferente às fotografias.
A praia fica a pouco mais de 3 km da minha vila, mas não é o local que mais costumo fotografar. A exceção são aqueles fins de tarde em que o pôr do sol se veste de cores deslumbrantes.






Algo que também se vê com frequência na minha galeria: gatos.




Tentativas de autorretrato:
Normalmente, tenho uma expressão triste nas fotografias. Tenho de fazer um esforço para aparecer a sorrir.



As duas primeiras fotografias desta série foram tiradas com uma máquina analógica. A minha mãe é, normalmente, uma das protagonistas da minha galeria.
Gosto de fotografias com um aspeto antigo, rugoso, vintage, que façam lembrar a estética de há alguns anos. De certa forma, essas fotos parecem-me sempre bonitas, mesmo quando revelam um certo amadorismo através de ângulos desenquadrados e falta de nitidez.





A primeira fotografia foi tirada em 2020 e a segunda em 2026. Talvez não se note a diferença na imagem para quem não acompanhou a evolução proporcionada pela mudança de telemóvel. Uma coisa mantém-se: a presença da natureza. Nestas fotografias, capto a beleza oculta da minha vila, tão pacata quanto outra qualquer.
Fiquem bem!











Esse pôr do sol faz-me lembrar a praia de Mira 🖤
Boas fotos! Gostei especialmente da fotografia onde aparece uma senhora com 2 limões nas mãos. Remete para o conforto familiar. :)